O palhaço não liga se está bonito ou feio. O que importa para ele é conseguir ao menos um sorriso da platéia.
Para o palhaço, não existe passado nem futuro. Existe o presente. E quem é que não gosta de ganhar presente?
No vocabulário do palhaço não existe a palavra 'mentira'; é tudo verdade. Seu mundo pode ser imaginário, mas nunca será de mentirinha!
O palhaço tem o dom de tratar igualmente crianças e adultos. Afinal, que adulto nunca quis voltar a ser criança? E que criança nunca desejou ser adulto?
O verdadeiro palhaço sabe o momento de falar sério, mas, mesmo assim, só se satisfaz ao ver um sorriso, mesmo que seja contido, daqueles só de canto de boca.
O palhaço é capaz de esquecer-se de suas próprias preocupações para fazer com que os outros esqueçam as preocupações deles.
O palhaço não se esconde atrás de um nariz vermelho. Ele usa um nariz vermelho a fim de mostrar aos outros como ele é em si.
Alguns têm medo de palhaço, mas só porque não o conhecem realmente.
E, assim como as pessoas da platéia tem medos, o palhaço também os tem.
O palhaço tem medo, pois não entende, não acha possível e não consegue explicar o que sente.
Mas o maior medo do palhaço é nunca mais ver o sorriso encantador daquela jovem de casaco vermelho e olhos brilhantes que estava na platéia e que, há dias, não sai de sua cabeça, por algum motivo que o próprio palhaço desconhece.
quinta-feira, 14 de abril de 2011
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Celacanto provoca maremoto
São quatro mil trezentos e setenta e quatro quilômetros de distância por vias rodoviárias. Dois mil oitocentos e quarenta e nove quilômetros de distância por vias aéreas. E zero... Zero quilômetros de distância por vias afetivas.
Vias afetivas estas que levavam-nos a percorrer distâncias temporais e físicas, transportando-nos do Rio de Janeiro e de Manaus, no século XXI, para a Europa e seus castelos da Idade Média.
As vias digitais, quando somadas a essas vias afetivas, foram e são capazes de proporcionar brincadeiras competitivas completamente insanas para os outros, mas que para nós parecem sempre coerentes. Proporcionaram, também, uma aproximação tão grande que, não sei dizer com precisão quando, mas em algum momento entre um "Boa noite. Antes de começar o COC, temos alguns avisos para dar" e um "VTNC", a levou da categoria "uma Marcela" para a categoria "a Marcela".
A Marcela que nem sempre é Marcela, já que a verdadeira identidade é de uma agente secreta gênio, mas isso eu não revelo! A Marcela que é irmã e que lotou a memória do meu tijolo e agora lota a memória do meu celular com SMS's! A Marcela que me deu broncas e que já recebeu broncas minhas. A Marcela que eu já percebi tentando me proteger, mesmo sem querer. A Marcela que aprendeu que eu estou sempre certo e sempre tenho razão; e quando não é assim, ficamos horas e horas discutindo a mesma coisa, até que ela desista e eu vença! (Porque eu sempre venço!)
A Marcela que sabe que tem um coração enorme. E que sabe que, além de enorme, ele é rubro-negro! E eu posso provar!
Ela que já sabe quando merece uma bronca e diz "Sem lição de moral, agora...", me deixando mais preocupado por ela estar triste do que qualquer outra coisa.
Ela que sabe falar Tupi e que, ultimamente, não tem tido contato com tecnologia de ponta, a não ser com um telepairmãomaisvelho.
Ela que é um celacanto que provoca maremoto de alegria toda vez que estamos juntos.
Ela que tem tanto em comum comigo. E ao mesmo tempo tem tanta divergência que as vezes fica irritada. Aliás, deixá-la irritada é uma de minhas habilidades.
A habilidade dela? São várias! Mas uma delas é, mesmo que com apenas uma palavra ou sinal de fumaça, me fazer ter certeza de que, apesar de qualquer distância, estaremos sempre juntos, lado a lado, como no porta-retrato que está na minha estante.
E eu posso escrever parágrafos e mais parágrafos, infinitas frases, mas todas elas cabem em apenas quatro letras, que ela sabe muito bem quais são.
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Escrito
O escritor estava mais uma vez sentado em sua cadeira, com a máquina de escrever, pronta para ser manejada, na mesa à sua frente. O escritório vazio e silencioso, apenas com uma lâmpada acesa e a companhia de livros na estante, era um convite à produção de seus textos. Entretanto, o papel encontrava-se em branco.
Esta cena não era inédita. Nas últimas semanas, por várias vezes ele havia sentado no mesmo lugar e também não conseguiu escrever nada. Pelo menos nada que o agradasse. Chegou a começar a passar para o papel algumas ideias que teve, mas estas acabavam sempre por desagradá-lo e ele as jogava fora pensando "Não está bom! Tem que ser bem melhor!".
A verdade é que nada que ele escrevesse seria, ao menos para ele, bom o bastante. Ele sentia sempre como se estivesse faltando algo em seu texto.
Todas as vezes que sentou-se para escrever, acabava por passar o tempo pensando. E hoje ocorreu da mesma forma, mas com uma sutil diferença.
Nas outras vezes, ele pensava, pensava, sorria sozinho com as coisas que lembrava (ou melhor, que não esquecia). E no fim, o papel permanecia em branco, por ele achar que não escrevia nada bom o bastante a ponto de merecer ser lido.
Hoje, o escritor também pensou, também sorriu, também lembrou (ou não esqueceu!), mas no final, ao desistir de vez de escrever algo, levantou-se e viu que o seu papel continha algumas palavras e elas o fizeram perceber que o problema não era suas ideias serem ruins, mas sim o receio de que não fossem boas o bastante para alguém. Percebeu também que não faria diferença se escrevesse ou não, se o que escreveu era bom ou não. Percebeu que para alguém, o escrito sempre faria a diferença.
Olhou para o papel como que pensando "Que horas que eu escrevi isso?" e, ao invés de amassá-lo e jogá-lo fora como os outros, ele dobrou e, sorrindo, guardou em seu bolso o papel que dizia:
"Foi um beijo. Não, foi o beijo! O beijo... na testa."
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
"De chocolate que o amor é feito"
A festa estava rolando e os convidados se divertiam ao som da música cantada pela artista.
Um convidado em especial, estava boquiaberto com as interpretações da jovem cantora, chegando a esquecer todo o resto da festa. Os olhos dos dois se cruzaram mais de uma vez, de forma que qualquer um que estivesse prestando um pouco mais de atenção teria percebido que algo rolava entre aqueles dois.
Lá pelas tantas, durante o intervalo do show, o rapaz tomou coragem e caminhou até a cantora que se hidratava bebendo um copo de água.
- ALÔ DOÇURA! Você também teve a SENSAÇÃO de que rolou algo SURREAL entre a gente?Ela tentou manter a pose, mas não pode deixar de sorrir:
- Olha, GAROTO, eu não sou desse tipo, mas confesso que durante nossa troca de olhares senti até um CHOKITO no coração.
- É mesmo? Então, eu também vou confessar uma coisa: o seu TALENTO me conquistou.
- Ah, é? Pois se você pedir, rola até um BIS.
- Estou com tanto PRESTÍGIO assim?
- Pra descobrir, vai ter que pedir. Quem sabe não rola até uma SERENATA DE AMOR?
Sem saber como reagir, ele disse a primeira coisa que lhe veio à cabeça:
- E se eu te pedir para cantar uma OPERETA?
- Nossa! Por que algo tão chique assim? Por um acaso você é DIPLOMATA? - divertiu-se a moça.
- Na verdade, não... Mas se eu te pedisse pra cantar pagode iria acabar com nosso LANCY.
O papo rolou por longos minutos e quem os visse poderia afirmar, sem dúvida alguma, que tinham sido feitos um para o outro.
Os dois mantiveram contato e algum tempo depois já estavam namorando.
O tempo passou e, certo dia, ele chamou sua namorada para uma conversa séria.
- Olha, eu tenho uma SURPRESA pra você. - disse entregando-lhe uma caixa.
Ao abrir a caixa, a jovem se deparou com um anel.
- Um anel? - falou com os olhos brilhando.
- Não é um anel qualquer, é de OURO BRANCO. Casa comigo, meu DIAMANTE NEGRO?
Ela obviamente aceitou e pouco tempo depois os dois estavam casados.
A festa de casamento deles foi inesquecível para qualquer convidado, muita animação, serpentina e CONFETI para todo o lado.
A lua de mel? Bem, os dois foram para o CARIBE e viveram felizes para sempre.
E essa é a história de amor entre o chocolate e sua chocólatra. Romances existem muitos, mas aposto que não existe outro tão delicioso quanto esse.
(Para uma chocólatra bobinha!)
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Ela em quatro estações
Um jeito de mover-se que lembra as folhas das árvores balançando suavemente devido à brisa da primavera.
Um sorriso cujo brilho só pode ser comparado a união do brilho de todas as estrelas de uma noite de verão.
Uma voz que soava de forma leve e encantadora, como os passarinhos cantando em uma tarde de outono.
Ela caminhava em sua direção, sorrindo e falando animadamente. Sem tirar os olhos dos seus, parou na sua frente e disse:
- Pedro, acorda! Vai perder a hora!
Ele estranhou, mas ouviu novamente, entretanto, dessa vez, reconheceu a voz da sua mãe:
- Anda, Pedro! Você vai se atrasar! Já tem café pronto...
O rapaz abriu os olhos lutando contra a luz do dia e tentando aconchegar-se embaixo das cobertas, mas já era tarde. Sonhara com ela novamente, mas o sonho havia se perdido com o chamado de sua mãe.
E aqueles dias longe dela foram suficientes para que ele sentisse a saudade bater, como uma manhã fria de inverno.
domingo, 8 de agosto de 2010
Dia dos Pais
Hoje, me peguei pensando como seria se você ainda estivesse aqui. Eu não tenho nenhuma referência de como eram nossos Dias dos Pais, até porque já faz 18 anos que Deus o levou para junto Dele. Entretanto, no meu mundinho imáginário perfeito, eu acordaria por volta das 8h e você já estaria na cozinha tomando café em uma caneca. Daria "bom dia" a você e misturaria o café quente com o leite gelado recém tirado da geladeira. Minha mãe passaria pela cozinha a caminho da área para pendurar sua toalha de banho e falaria:
- Leite gelado, Rafael?! Tem leite quente na leiteira!
- Não... Prefiro frio. - eu responderia.
Beberia meu café-com-leite e pegaria minha toalha para tomar banho, enquanto minha mãe estaria passando uma blusa. Você perguntaria:
- Não vai comer nada, filho?
- Não... Quero nada, não.
No caminho para o banheiro, a Bianca me chamaria de dentro do quarto:
- Vamos entregar o presente agora!
Nós dois voltaríamos para a cozinha.
- Pai.
- Hum? - você diria enquanto lavava a caneca do café.
- Feliz Dia dos Pais!! - responderíamos nós dois.
E depois de agradecimentos, beijos e abraços, você abriria o presente: uma colônia, gravata, sei lá... Não consegui imaginar isso. Só imaginei que não seria loção pós-barba, pois você ainda cultivaria a sua barba e que quem comprou o presente foi a Bianca porque eu não saberia o que escolher.
A próxima cena desse filme, que veio a minha cabeça, foi uma na qual eu e você estaríamos sentados no sofá da sala, por volta das 9:30, já prontos, esperando minha mãe e Bianca se arrumarem para irmos à missa.
- Vamos, gente! Olha a hora! - você diria.
- Depois, não vamos conseguir lugar na frente e não vão saber por quê! - eu completaria.
Depois de muita insistência, conseguiríamos sair de casa 09:45 e andaríamos até a igreja.
Ao fim da missa, passaríamos em casa só para pegar o carro (um fusca azul marinho, por que não?) e iríamos almoçar em algum restaurante... Fora da Ilha!
Enfrentaríamos fila para entrar e nosso pedido demoraria para ficar pronto, o que nos deixaria preocupados, afinal, 16h teria Flamengo x Corinthians.
Conseguiríamos comer e sairíamos correndo do restaurante e voltaríamos para casa para assistir ao jogo, só que, antes, deixaríamos a Bianca na Leopoldina, pois ela iria encontrar o Gabriel.
Chegaríamos em casa faltando 10 minutos para começar o jogo, ligariamos a tv e minha mãe iria para o computador resolver algumas coisas a respeito do próximo curso do MCP.
- Não acredito que a Bianca foi encontrar o Gabriel no Dia dos Pais! - eu diria.
- Deixa ela, Rafa! Pensa pelo lado bom: não vai ter mulher perturbando durante o jogo!
- Eu ouvi isso, hein?! - minha mãe gritaria do quarto.
E nós gargalharíamos, mas só até ver que o jogo tinha começado.
Você, junto comigo, gritaria, reclamaria e mandaria o Kléberson para lugares nada agradáveis e lamentaríamos um gol de empate perdido nos acréscimos do jogo (pois é, meu mundinho imaginário perfeito conta com fatos não tão perfeitos assim).
Depois do jogo, a Bianca chegaria incrivelmente rápido em casa e, como uma família feliz, comeríamos pizza com a tv ligada no Fantástico, enquanto conversaríamos e você tocaria o violão (ainda seu), me ensinando alguma coisa sobre.
Pois é. Foi esse dia que passou pela minha cabeça. Mas, voltando à realidade, eu queria agradecer a você, meu pai. Sim, pela pessoa que você foi. Por ter sido essa pessoa, hoje eu ouço somente coisas boas a seu respeito, de quem quer que o tenha conhecido, o que o torna, mesmo sem 18 anos de convivência, um exemplo a ser seguido.
Obrigado pela mesa de botão.
Obrigado pelo violão.
Obrigado por ter me ensinado, ainda no apartamento da Tijuca, que, na verdade, é a Terra que gira em torno do sol e não o contrário.
Obrigado por me explicar, também ainda no apartamento da Tijuca, que o barulho dos índios que queriam me pegar era, na verdade, a tv do vizinho ligada de madrugada.
Enfim, obrigado.
Foram 4 anos de convivência que geraram lembranças e aprendizados que me forcei a não esquecer.
Algumas vezes, sonho que me debruço na janela da casa da vovó (com alguém, a Naninha ou a vovó, se não me engano, me segurando por eu ser ainda pequeno) como naquele dia de agosto de 1992, e vejo você chegando, junto com os outros adultos. Tudo teria sido bastante diferente.
Mas Papai do Céu sabe o que faz.
Amo você!
sábado, 3 de julho de 2010
Era uma vez uma Copa
1 Dunga1 Atchim (Jorginho)
9 Sonecas (M. Bastos, Gilberto Silva, Daniel Alves, Luis Fabiano, Josué, Kléberson, Grafite, Gilberto, Julio Baptista, Ramires)
1 Dengoso (Kaká)
7 Mestres (Júlio Cesar, Maicom, Lúcio, Juan, Robinho, Nilmar e Elano)
4 Figurantes do Castelo (Doni, Gomes, Thiago Silva, Luisão)
1 cavalo do Príncipe (Felipe Melo)
1 Madrasta (Imprensa)
1 Branca de Neve (Cristiano Ronaldo hehe)
190 milhões de Zangados (Não vou dizer os nomes por questões óbvias! haha)
E 1 Feliz.
Quem é o Feliz? Eu.
Não que eu esteja feliz com a eliminação, longe disso. Mas esperei 12 anos pra ver novamente um Brasil x Holanda em Copa do Mundo, um duelo que eu vi em 94 e 98, sempre cheio de emoção e guardo sempre na memória. Brasil x Holanda é pra mim como um Fla x Flu; Copa sem Brasil x Holanda é como Trakinas sem recheio: a gente até come, mas sente falta de alguma coisa. E, pra quem é amante do futebol, não tem como ficar muito triste com o jogão que foi; e, no fim, venceu quem jogou melhor. Uma Copa de surpresas (como Eslováquia, Gana e Paraguai) e de figurinhas carimbadas (Argentina, Alemanha, Brasil, Holanda). Uma Copa que, para mim, não deixou a desejar, até agora, em emoção. E, como amante do futebol, defendo que emoção vale mais que resultado (obviamente se o Flamengo não estiver jogando! hahaha).
Era uma vez uma Copa. A Copa de 2010. Uma Copa que viu a seleção brasileira sair pela porta da frente e de cabeça erguida, apesar das lágrimas nos olhos. Esta história eu farei questão de contar para os meus filhos, capítulo por capítulo. Ao contrário daquela de 2006.
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