No
meu tempo, eu achava exagerado quem usava a expressão "no meu
tempo"...
No meu tempo, falar "no meu tempo" era uma tentativa de enaltecer o
passado. Hoje, parece ter o objetivo de ridicularizar o presente.
Sim, essa ridicularização acontecia também no meu tempo, só que, lá, quem dizia
"no meu tempo" na tentativa de ridicularizar o então presente, não
levava em consideração que o mesmo seria enaltecido por meus coetâneos, os
quais, aos poucos, começariam a sentir (talvez por uma imposição cultural ou
social) a vontade de fazer uso da sentença "no meu tempo" (que,
"trocadilhando", quase condena o tempo presente, tendo o pretérito
como promotor deste metafórico julgamento).
Tornei-me - precocemente, confesso - mais um nomeutempista. E prefiro acreditar
que, quando desempenhada da forma correta, esta não seja uma classificação
negativa.
Pois o que preocupa de verdade, mais do que reclamar (e isso eu faço como
ninguém) do tempo em que vivemos, é a possível falta de argumento dos
nomeutempistas do futuro.
Pense nisso! Se você já é nomeutempista, traga as coisas boas que viveu no
ontem para o hoje. Talvez seja essa a principal função dos nomeutempistas e
ainda não foi descoberta pela maioria. Se você ainda não é nomeutempista, viva
o hoje de maneira a ter boas lembranças, das quais terá prazer de falar, contar
e, com elas, ajudar a construir o futuro presente que viveremos.
O grande paradoxo é ser nomeutempista em busca da extinção dos nomeutempistas,
em busca de um tempo, por enquanto utópico (e utópico eu também sou bastante),
no qual passado, presente e futuro serão tempos de todos.
No meu tempo, nós podíamos mudar o mundo. Espero a chegada do dia em que
ouviremos "No meu tempo, nós mudamos o mundo".
sexta-feira, 22 de novembro de 2013
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
Sabe que é pra você
Vários anos. Vários escritos. No mínimo anualmente.
E, mesmo assim, sempre tenho algo a escrever. Ou não
escrever.
Talvez, justamente por isso. Por um saber o que o outro está passando só de ver o que foi escrito, nem que sejam só 140 caracteres ou, quem sabe, apenas uma palavra.
Talvez, justamente por isso. Por um saber o que o outro está passando só de ver o que foi escrito, nem que sejam só 140 caracteres ou, quem sabe, apenas uma palavra.
Até no “não-dito” conhecemos um ao outro. Quando o silêncio
torna-se grande, tratamos de mostrar que “estamos aqui”, na maioria das vezes
não com essas palavras.
Caramba!! É exatamente isso!!
Caramba!! É exatamente isso!!
Talvez, hoje, como Newton, quando supostamente a maçã caiu
em sua cabeça, eu tenha passado por um momento de genialidade, que me
possibilitou elaborar a mais óbvia de nossas teorias. A mais facilmente
comprovada.
Conhecemos tanto um ao outro que nos comunicamos de uma
forma própria, só nossa, na qual uma foto compartilhada no Facebook quer dizer
mais que uma simples imagem; ou um tweet que aos outros parece significar “A”,
na verdade significa um “B camuflado que C.C./S.G. vai entender”. E acho que já
fazemos isso por natureza, sem percebermos muitas vezes; na maioria delas, sem nem deixar pistas de que estamos nos comunicando.
Mas o outro percebe. E responde. Vezes com músicas, vezes
com retweets ou curtidas, vezes com textos. E, algumas vezes, até com o
silêncio. Um silêncio diferente; um silêncio no qual a gente se entende.
E é isso que nos faz próximos: nos conhecemos, mesmo que
para os outros pareça que nem sabemos um do outro.
Uma prova disso? Não falei nada, mas você veio até aqui, no
meu blog, porque sabia que hoje (ou nessa semana) teria algo para você ler.
Não usei nossas quatro letras preferidas quando estão juntas, não falei seu nome (só abreviei!), não disse o porquê disso tudo aqui. Entretanto, você (e talvez só você) sabe que eu tenho razão.
Não usei nossas quatro letras preferidas quando estão juntas, não falei seu nome (só abreviei!), não disse o porquê disso tudo aqui. Entretanto, você (e talvez só você) sabe que eu tenho razão.
E o melhor: sabe exatamente o que eu quis dizer desde a
primeira linha. E sabe que é pra você.
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
Mas todo ano tem isso
O último dia do ano sempre deixa as pessoas reflexivas. É um tal de "que venha o Ano Novo, cheio de mudanças, alegria, saúde" e blá blá blá... Parece até que o ano que termina foi uma porcaria só! A tendência é que lembrem só das coisas ruins e que querem mudar; esquecem sempre as coisas boas! Parece que quem manda nos pensamentos da galera no dia 31 de dezembro é o editor da Retrospectiva do Globo Repórter. E, pior, que editor da Retrospectiva do Vídeo Show nem chega perto desta seleção pessoal de acontecimentos...
Mas será que o ano que acaba é sempre ruim assim? Usemos 2012 como exemplo.
Teve praia em janeiro. Mas todo ano tem isso.
Teve samba em fevereiro. Mas todo ano tem isso. De diferente, só o maluco de São Paulo rasgando as notas das escolas de samba.
Teve chocolate em abril. Mas todo ano tem isso. E boa parte esquece que, ao contrário do que Roberto Carlos nos disse nos últimos meses do ano, ESSE CARA não é ele, é Jesus.
No resto do ano, também teve muita coisa repetida: trabalho, muito trabalho, correria do dia-a-dia.
Ah! Jogos Olímpicos! Pois é, Brasil, vamos pular essa parte.
E no lado futebolístico? Teve Botafogo reclamando de arbitragem, mas todo ano tem isso. Flamengo na primeira divisão, mas todo ano tem isso. De diferente (e quase que me fez acreditar na profecia Maia) só o Corinthians campeão da Libertadores e do Mundial.
Tudo bem, era o ano marcado para o "Fim do Mundo", mas teve seu lado bom nisso: historiograficamente falando, o interesse pelos Maias foi grande. Se eu ganhasse R$ 1,00 por cada pergunta sobre a civilização Maia e seu calendário apocalíptico que fizeram para este professor de História que vos escreve, eu estaria passando o Réveillon em uma cobertura de luxo em Paris.
Teve gente fechando com Freixo, mas a maioria abriu com Paes. E, talvez, isso seja motivo para pensar que o tal "Fim do Mundo" perseguirá o Rio também nos próximos 4 anos.
O que não deixa de ser verdade, pois, logo encontrarão um "documento" de uma civilização antiga de nome diferente que dirá que no ano em que a Terra estiver alinhada com o asteróide B 612 (sim, o do Pequeno Príncipe), o sol vai emitir raios ultrablábláblá e o mundo vai acabar. Mas todo ano tem isso (ou algo parecido).
Esqueçamos disso tudo! Lembremos das coisas boas, gente!
Em 2012, nossas vidas tiveram abraços inesquecíveis, pessoas maravilhosas, conversas sensacionais, beijos cinematográficos para alguns, cenas hollywoodianas para outros, reencontros, músicas marcantes, tanta coisa boa! Será que queremos mesmo jogar tudo no lixo e começar 2013 do zero?
Se você disse sim, assino embaixo e te desejo que consiga refazer sua vida. Só não deixe de ter fé! Não desista e você conseguirá. E, se precisar, estarei aqui, esperando ser uma partezinha de 2012 que você não se permitirá esquecer.
Se você disse não, estamos juntos nessa! Libertemos o editor da Retrospectiva do Vídeo Show que há em nós! Lembremos das coisas boas! E daquilo que queremos manter para o ano que se inicia.
Lógico, precisamos mudar coisas aqui ou ali, mas não precisa ser no último dia do ano! Se em fevereiro você descobriu que errou e precisa fazer diferente, faça! E sorria! Sorria como os artistas que aparecem no "Falha Nossa", gargalhando depois de erros grotestos.
E que 2013 seja como 2012... Só que não muito! Explico: que seja a parte boa de 2012 com a tentativa de melhorar as partes ruins.
Ah!! Quase esqueci!! Não... Deixa pra lá...
Ok, eu falo!
Eu ia dizer pra você usar filtro solar, mas todo ano tem isso...
Mas será que o ano que acaba é sempre ruim assim? Usemos 2012 como exemplo.
Teve praia em janeiro. Mas todo ano tem isso.
Teve samba em fevereiro. Mas todo ano tem isso. De diferente, só o maluco de São Paulo rasgando as notas das escolas de samba.
Teve chocolate em abril. Mas todo ano tem isso. E boa parte esquece que, ao contrário do que Roberto Carlos nos disse nos últimos meses do ano, ESSE CARA não é ele, é Jesus.
No resto do ano, também teve muita coisa repetida: trabalho, muito trabalho, correria do dia-a-dia.
Ah! Jogos Olímpicos! Pois é, Brasil, vamos pular essa parte.
E no lado futebolístico? Teve Botafogo reclamando de arbitragem, mas todo ano tem isso. Flamengo na primeira divisão, mas todo ano tem isso. De diferente (e quase que me fez acreditar na profecia Maia) só o Corinthians campeão da Libertadores e do Mundial.
Tudo bem, era o ano marcado para o "Fim do Mundo", mas teve seu lado bom nisso: historiograficamente falando, o interesse pelos Maias foi grande. Se eu ganhasse R$ 1,00 por cada pergunta sobre a civilização Maia e seu calendário apocalíptico que fizeram para este professor de História que vos escreve, eu estaria passando o Réveillon em uma cobertura de luxo em Paris.
Teve gente fechando com Freixo, mas a maioria abriu com Paes. E, talvez, isso seja motivo para pensar que o tal "Fim do Mundo" perseguirá o Rio também nos próximos 4 anos.
O que não deixa de ser verdade, pois, logo encontrarão um "documento" de uma civilização antiga de nome diferente que dirá que no ano em que a Terra estiver alinhada com o asteróide B 612 (sim, o do Pequeno Príncipe), o sol vai emitir raios ultrablábláblá e o mundo vai acabar. Mas todo ano tem isso (ou algo parecido).
Esqueçamos disso tudo! Lembremos das coisas boas, gente!
Em 2012, nossas vidas tiveram abraços inesquecíveis, pessoas maravilhosas, conversas sensacionais, beijos cinematográficos para alguns, cenas hollywoodianas para outros, reencontros, músicas marcantes, tanta coisa boa! Será que queremos mesmo jogar tudo no lixo e começar 2013 do zero?
Se você disse sim, assino embaixo e te desejo que consiga refazer sua vida. Só não deixe de ter fé! Não desista e você conseguirá. E, se precisar, estarei aqui, esperando ser uma partezinha de 2012 que você não se permitirá esquecer.
Se você disse não, estamos juntos nessa! Libertemos o editor da Retrospectiva do Vídeo Show que há em nós! Lembremos das coisas boas! E daquilo que queremos manter para o ano que se inicia.
Lógico, precisamos mudar coisas aqui ou ali, mas não precisa ser no último dia do ano! Se em fevereiro você descobriu que errou e precisa fazer diferente, faça! E sorria! Sorria como os artistas que aparecem no "Falha Nossa", gargalhando depois de erros grotestos.
E que 2013 seja como 2012... Só que não muito! Explico: que seja a parte boa de 2012 com a tentativa de melhorar as partes ruins.
Ah!! Quase esqueci!! Não... Deixa pra lá...
Ok, eu falo!
Eu ia dizer pra você usar filtro solar, mas todo ano tem isso...
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
Natal, Natal das crianças
Estava tão
concentrado em sua leitura que nem reparou como o ônibus havia ficado cheio. Somente quando uma moça parou ao seu lado, acompanhada do filho, foi que ele
“despertou”. O jovem levantou-se, educadamente, a fim de ceder seu lugar para
que a moça sentasse com seu filho, que aparentava ter uns oito anos.
Em pé, o
rapaz começou a abrir sua mochila para guardar o livro que estava lendo
anteriormente, mas foi interrompido pelo menino:
- Está lendo
o que, tio?
- Elogio da
Loucura. Mas não me chama de tio... Tenho quase a sua idade.
- Tem nada!
Eu só tenho 7 anos! – respondeu o menino, sorrindo. – Posso ver? – e pegou o
livro.
- Daniel!!
Que falta de educação! Devolve para o moço! – repreendeu a mãe.
- Não, tudo
bem! Você gosta de ler, Daniel?
- Depende...
– respondeu a criança enquanto abria o livro e passava as páginas.
- Ué, como
assim “depende”? – divertiu-se o jovem.
- Depende,
tio...
- Lucas. Me
chama de Lucas, só para eu não me sentir muito velho, combinado? – e sorriu.
Aliás, se
tinha uma coisa que Lucas não conseguia segurar perto das crianças era o
sorriso. Era um fã declarado delas, da espontaneidade, da habilidade que elas
têm de acreditar nas coisas.
- Beleza... –
concordou Daniel – Então, esse aqui, por exemplo, eu não gostei, ti...
Lucas!!
- Ah, não?
Por quê? Você nem leu ainda, zé mané!
- Mas quase
não tem travessão. Eu gosto quando tem muito travessão.
- Como assim?
- É! Gosto
das conversas! É o mais importante em qualquer história.
Lucas ficou
surpreso. Só conseguiu balançar a cabeça afirmativamente.
O garoto
devolveu o livro e o rapaz guardou na mochila. Alguns minutos passaram até que
Lucas notou o menino distraído com a decoração de Natal de uma loja. Aproveitou
para puxar assunto novamente:
- Bonito, né?
E de Natal, você gosta ou também “depende”? – falou imitando a entonação de
Daniel.
- Ah, gosto!
– disse o garoto sorrindo, mas ficou pensativo logo depois – Lucas, você
acredita em Papai Noel?
O rapaz ficou
sem saber como reagir à pergunta e olhou para a mãe. Ela, tão surpresa quanto
Lucas, apenas deu de ombro. Para o alívio de ambos, Daniel voltou a falar:
- Eu não
acredito, sabe? Já não sou mais criancinha...
- Ah, não é
mais criancinha? – Lucas e a mãe do menino começaram a rir.
- Sou não.
Sei que ele não existe. E vocês dois também sabem disso. Mas, se ele existisse
e você pudesse pedir um presente para ele, o que você pediria, Lucas?
- Caramba!
Assim, na lata? Sei lá! São muitas opções...
- Então, é
fácil! Só escolhe uma das opções. Pode ser qualquer coisa! – disse Daniel
revirando os olhos.
- Não sei, zé
mané! É uma pergunta muito difícil!
- Para
adultos é tudo muito difícil... – resmungou Daniel.
Lucas achou
graça e melhor não retrucar, pois concordava plenamente com o menino.
Entretanto, aquela pergunta ficou na cabeça dele. O que pediria para o Papai
Noel? Demorou muito até encontrar uma resposta.
- Daniel...
Pode ser qualquer coisa mesmo, né?
- Qualquer
coisa o quê?
- O pedido
pro Papai Noel, zé mané!
- Ah, tá!
Pode! Pensou em alguma coisa?
- Sim. Se eu pudesse
pedir qualquer coisa para o Papai Noel, eu pediria que minha mãe vivesse para
sempre.
- E eu que
sou o zé mané... – falou o menino, balançando a cabeça negativamente.
- Ué, você
disse que poderia ser qualquer coisa!
- É, mas se
sua mãe vivesse pra sempre, ela iria sofrer pra sempre depois que você
morresse.
A resposta
foi um choque para Lucas:
- Cara, você
tem certeza que só tem 7 anos? – divertiu-se o rapaz.
- Viu? Eu
disse que não era mais criancinha!
Neste
momento, a mãe de Daniel se levantou e disse:
- Vamos,
Dani. Se despede do Lucas porque a gente desce no próximo ponto.
O garoto
apertou a mão de Lucas e deu tchau. Enquanto mãe e filho se dirigiam para a
parte de trás do ônibus, Lucas chamou o rapazinho:
- Daniel! – o
menino virou-se para olhar – E você? O que pediria para o Papai Noel?
Daniel olhou
para o chão no ônibus durante poucos segundos e, depois que este parou,
respondeu enquanto descia:
-
Travessões... Muitos travessões na vida de todo mundo.
sexta-feira, 2 de março de 2012
Abraço
Foi o melhor abraço de todos. E olha que a concorrência é grande.
Você conversava com outras duas pessoas quando eu cheguei pelas suas costas e te enlacei com meus braços. Você, percebendo que era eu, se aconchegou, aceitando meu abraço. Como se estivesse pedindo para eu não me afastar, você, com uma das mãos, segurou o dedo indicador da minha mão esquerda e, com a outra, entrelaçou seus dedos nos dedos da minha mão direita.
Apoiei meu queixo em seu ombro, como se respondesse que não queria sair nunca mais desse abraço. E você, encostando sua cabeça na minha, mostrou-me que também queria ficar ali por tempo indeterminado.
Foi mesmo o melhor abraço.
Imagina, então, quando for de verdade...
Você conversava com outras duas pessoas quando eu cheguei pelas suas costas e te enlacei com meus braços. Você, percebendo que era eu, se aconchegou, aceitando meu abraço. Como se estivesse pedindo para eu não me afastar, você, com uma das mãos, segurou o dedo indicador da minha mão esquerda e, com a outra, entrelaçou seus dedos nos dedos da minha mão direita.
Apoiei meu queixo em seu ombro, como se respondesse que não queria sair nunca mais desse abraço. E você, encostando sua cabeça na minha, mostrou-me que também queria ficar ali por tempo indeterminado.
Foi mesmo o melhor abraço.
Imagina, então, quando for de verdade...
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Só ela, mesmo...
O primeiro dia do mês de fevereiro é, tradicionalmente, dia de escrever sobre a senhorita Marcela Lemos.
Tal tarefa torna-se cada vez mais difícil, tendo em vista que tudo que poderia ser escrito aqui sobre a aniversariante já foi dito em textos anteriores, nas 486532 mensagens de celular, conversas nas redes sociais, ou, até mesmo, em mesóclises, abraços e olhares. Mas, como bom brasileiro, gosto de desafios.
Refletindo, hoje cedo, percebi que minha história com Marcela está intimamente ligada a Fla x Flu's comprovadamente históricos, que aconteceram em dias de festas de aniversários e, pior, que eu não vi.
Explico...
Em 1995, ano que Marcela nasceu, a final do Campeonato Carioca foi entre Flamengo, time do meu coração (e do da Marcela também), e Fluminense. Naquele dia, deveríamos ir à festinha de aniversário de uma amiga da minha irmã. Eu, já rubro-negro e fanático, fui à festa, mas com o radinho no ouvido. Não vi o Fla x Flu (ouvi) por causa de uma festa e chorei. Pela primeira (e até hoje única) vez, chorei (escondido) por ver meu time perder uma final de campeonato. Graças à barriga de um certo Renato.
Quinze anos depois, novo Fla x Flu, nova festa, novamente apenas acompanhei pela voz de José Carlos Araújo, outro Renato, mas, esse, apenas um amigo que me deu carona até o local da festa.
Ao contrário do Fla x Flu de 1995, o de 2010 eu não fiquei ouvindo durante a festa, pois, esta sim, era uma festa especial. Ouvi apenas no caminho para lá e tirei os fones de ouvido quando cheguei e o jogo estava 2x0 para o Flu.
Naquela noite, eu também chorei (mais uma vez escondido); só não foi por derrota.
A festa era de 15 anos, ou seja, não era minha; já passei disso faz tempo. Mas a aniversariante é que me deu o presente. Percebi, de vez e sem escapatória, que a importância que Marcela tinha para mim, eu também tinha para ela. Sem contar que foi uma despedida.
Marcela ia morar a muitos quilômetros de distância e, confesso, batia uma tensão e o medo das coisas mudarem.
Não mudaram.
Porque ela era e é importante demais. A única, até hoje, capaz de me fazer deixar de ver um Fla x Flu sem reclamar.
Ah, sim! O Fla x Flu daquela noite? Foi 5x3 pro NOSSO Flamengo, virada espetacular e histórica. E, mesmo assim, não reclamo por não ter visto e, se tivesse a oportunidade de escolher novamente, iria para a festa!
Parabéns e desculpa pela falta de inspiração, S.
Tal tarefa torna-se cada vez mais difícil, tendo em vista que tudo que poderia ser escrito aqui sobre a aniversariante já foi dito em textos anteriores, nas 486532 mensagens de celular, conversas nas redes sociais, ou, até mesmo, em mesóclises, abraços e olhares. Mas, como bom brasileiro, gosto de desafios.
Refletindo, hoje cedo, percebi que minha história com Marcela está intimamente ligada a Fla x Flu's comprovadamente históricos, que aconteceram em dias de festas de aniversários e, pior, que eu não vi.
Explico...
Em 1995, ano que Marcela nasceu, a final do Campeonato Carioca foi entre Flamengo, time do meu coração (e do da Marcela também), e Fluminense. Naquele dia, deveríamos ir à festinha de aniversário de uma amiga da minha irmã. Eu, já rubro-negro e fanático, fui à festa, mas com o radinho no ouvido. Não vi o Fla x Flu (ouvi) por causa de uma festa e chorei. Pela primeira (e até hoje única) vez, chorei (escondido) por ver meu time perder uma final de campeonato. Graças à barriga de um certo Renato.
Quinze anos depois, novo Fla x Flu, nova festa, novamente apenas acompanhei pela voz de José Carlos Araújo, outro Renato, mas, esse, apenas um amigo que me deu carona até o local da festa.
Ao contrário do Fla x Flu de 1995, o de 2010 eu não fiquei ouvindo durante a festa, pois, esta sim, era uma festa especial. Ouvi apenas no caminho para lá e tirei os fones de ouvido quando cheguei e o jogo estava 2x0 para o Flu.
Naquela noite, eu também chorei (mais uma vez escondido); só não foi por derrota.
A festa era de 15 anos, ou seja, não era minha; já passei disso faz tempo. Mas a aniversariante é que me deu o presente. Percebi, de vez e sem escapatória, que a importância que Marcela tinha para mim, eu também tinha para ela. Sem contar que foi uma despedida.
Marcela ia morar a muitos quilômetros de distância e, confesso, batia uma tensão e o medo das coisas mudarem.
Não mudaram.
Porque ela era e é importante demais. A única, até hoje, capaz de me fazer deixar de ver um Fla x Flu sem reclamar.
Ah, sim! O Fla x Flu daquela noite? Foi 5x3 pro NOSSO Flamengo, virada espetacular e histórica. E, mesmo assim, não reclamo por não ter visto e, se tivesse a oportunidade de escolher novamente, iria para a festa!
Parabéns e desculpa pela falta de inspiração, S.
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
Perguntas
Qual foi a melhor invenção do homem?
Uns dirão que foi o avião. Outros, que foi o computador. Ainda terão aqueles que vão defender o telefone. Para mim, foi o ponto de interrogação, e, quando digo isso, não me refiro à pontuação gráfica, mas sim à capacidade que adquirimos de fazer perguntas.
Imaginem quantas perguntas foram feitas para que o avião, o computador e o telefone fossem inventados. Além disso, todas as invenções humanas têm defeitos: o avião cai, o computador pega vírus, o telefone dá ocupado. Mas as perguntas, não! Toda pergunta é perfeita em si, não existe defeito; todas elas perguntam, sem correr o risco de não cumprir com seu objetivo. Perguntas caem do céu, como aviões, mas, no caso delas, isso é considerado bom; perguntas não são interrompidas por uma janela dizendo "Detectado um Cavalo de Tróia"; perguntas não fazem aquele "tututututututu" irritante dos telefones ocupados.
Tudo bem, concordo que existem vários tipos de perguntas, mas nenhuma delas têm defeito. O defeito está em quem pergunta ou em quem responde.
Existem perguntas fáceis: "Está com fome?", "Quem descobriu o Brasil?", "Qual é o seu nome?". Todas elas têm respostas simples e objetivas, mesmo que não devessem ter, como no caso do descobridor do Brasil.
Existem as perguntas difíceis, que se dividem em duas categorias. Na primeira categoria, estão aquelas que são difíceis de responder, mas que todo mundo sabe a resposta na hora que a pergunta foi feita: "Pai, de onde vêm os bebês?", "Quem era aquele cara te abraçando?", "Querido, você acha que eu estou gorda?".
Na segunda categoria de perguntas difíceis estão aquelas que não podem ser respondidas sem que o interrogado tenha um tempo para pensar e achar a resposta: "Qual é o nome todo de D. Pedro I?", "Qual é o seu maior defeito?", "Como é possível que o Toquinho ache fácil fazer um castelo com apensa cinco ou seis retas?".
Existem as perguntas famosas e que, por isso, não precisam que eu explique o que são: "Ser ou não ser?" de Shakespeare, "Pablo, qual é a música?" do Silvio Santos, "O que será que será?" de Chico e Milton.
Tantos outros tipos de pergunta serão deixados de lado por mim, como as perguntas idiotas (sempre respondidas com tolerância zero pelo nosso amigo Saraiva), com o objetivo de não deixar o texto mais extenso do que já está e finalizá-lo com o tipo que mais me preocupa: as minhas perguntas.
Esse último tipo tem me perseguido. Algumas das perguntas são expostas (com mais frequência do que deveriam, assumo): "Bianca, tem dinheiro trocado?", "Posso fazer a barba?". Outras ficam guardadas na minha cabeça, pois só eu posso responder. E ainda existem aquelas que ficam guardadas no coração, para serem feitas no momento certo, torcendo para não serem destruídas pela pior das invenções do homem: as respostas.
Mas isso é assunto para um outro dia...
Uns dirão que foi o avião. Outros, que foi o computador. Ainda terão aqueles que vão defender o telefone. Para mim, foi o ponto de interrogação, e, quando digo isso, não me refiro à pontuação gráfica, mas sim à capacidade que adquirimos de fazer perguntas.
Imaginem quantas perguntas foram feitas para que o avião, o computador e o telefone fossem inventados. Além disso, todas as invenções humanas têm defeitos: o avião cai, o computador pega vírus, o telefone dá ocupado. Mas as perguntas, não! Toda pergunta é perfeita em si, não existe defeito; todas elas perguntam, sem correr o risco de não cumprir com seu objetivo. Perguntas caem do céu, como aviões, mas, no caso delas, isso é considerado bom; perguntas não são interrompidas por uma janela dizendo "Detectado um Cavalo de Tróia"; perguntas não fazem aquele "tututututututu" irritante dos telefones ocupados.
Tudo bem, concordo que existem vários tipos de perguntas, mas nenhuma delas têm defeito. O defeito está em quem pergunta ou em quem responde.
Existem perguntas fáceis: "Está com fome?", "Quem descobriu o Brasil?", "Qual é o seu nome?". Todas elas têm respostas simples e objetivas, mesmo que não devessem ter, como no caso do descobridor do Brasil.
Existem as perguntas difíceis, que se dividem em duas categorias. Na primeira categoria, estão aquelas que são difíceis de responder, mas que todo mundo sabe a resposta na hora que a pergunta foi feita: "Pai, de onde vêm os bebês?", "Quem era aquele cara te abraçando?", "Querido, você acha que eu estou gorda?".
Na segunda categoria de perguntas difíceis estão aquelas que não podem ser respondidas sem que o interrogado tenha um tempo para pensar e achar a resposta: "Qual é o nome todo de D. Pedro I?", "Qual é o seu maior defeito?", "Como é possível que o Toquinho ache fácil fazer um castelo com apensa cinco ou seis retas?".
Existem as perguntas famosas e que, por isso, não precisam que eu explique o que são: "Ser ou não ser?" de Shakespeare, "Pablo, qual é a música?" do Silvio Santos, "O que será que será?" de Chico e Milton.
Tantos outros tipos de pergunta serão deixados de lado por mim, como as perguntas idiotas (sempre respondidas com tolerância zero pelo nosso amigo Saraiva), com o objetivo de não deixar o texto mais extenso do que já está e finalizá-lo com o tipo que mais me preocupa: as minhas perguntas.
Esse último tipo tem me perseguido. Algumas das perguntas são expostas (com mais frequência do que deveriam, assumo): "Bianca, tem dinheiro trocado?", "Posso fazer a barba?". Outras ficam guardadas na minha cabeça, pois só eu posso responder. E ainda existem aquelas que ficam guardadas no coração, para serem feitas no momento certo, torcendo para não serem destruídas pela pior das invenções do homem: as respostas.
Mas isso é assunto para um outro dia...
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